SOBRE A ARTE

SOBRE A ARTE

Há maravilhosas obras de arte que não podemos ver

No MoMa de Nova Iorque (Museu de Arte Moderna) apenas 24 das 1221 obras de Pablo Picasso fazem parte da coleção permanente desta instituição e podem ser vistas, atualmente, pelo público em geral. Já do artista Ed Ruscha, apenas uma obra das suas 145 está em exposição, enquanto nove das 156 obras primas do surrealista Joan Miró estão disponíveis.


Este é apenas um exemplo de um dos principais museus mundiais, onde a maioria da sua coleção de arte está escondida do público em instalações com temperatura controlada, sem luz e meticulosamente organizadas. Em instituições como o Tate, o Met ou o Louvre a situação é semelhante.


As percentagens gerais revelam uma imagem ainda mais impressionante: o Tate mostra cerca de 20% da sua coleção permanente. O Louvre 8%, o Guggenheim apenas 3% e a Galeria Berlinense, um museu de Berlim que tem como objetivo mostrar, preservar e recolher a arte criada na cidade, apresenta 2% da sua coleção. Estas percentagens representam aproximadamente 6 mil esculturas e pinturas, 80 mil fotografias e 15 mil impressões dos mais variados artistas.


Enquanto as coleções completas não estiverem visíveis por toda a parte, aqui estão alguns exemplos de obras-primas que não são vistas frequentemente e porquê.


Albrecht Dürer, Young Hare (1502)

Museu Albertina, Viena

A famosa aguarela de Dürer é uma obra-prima em observação. Como mascote "não-oficial" de Viena, esta obra é uma das grandes relíquias do Museu Albertina, porém, raramente é colocada em exposição. Depois de um máximo de três meses, "Young Hare" precisa de ser colocada durante 5 anos num armazém escuro e com o nível de humidade abaixo dos 50% para o material poder descansar. Esta peça esteve, brevemente, em exposição em 2014 depois de um intervalo de dez anos, e aparecerá, novamente, em 2018.


Henri Matisse, A Piscina (1952)

MoMa, Nova Iorque

A Piscina, de Henri Mattise, criada para ser colocada na sala de jantar do artista em Nice, está, na verdade, em exposição até dia 10 de Fevereiro, pela primeira vez nos últimos 20 anos. Os apoios desta obra tinham-se tornado descoloridos e frágeis, e o friso de papel branco manchado. A restauração desta peça foi longa e demorada, e depois da atual exposição irá voltar para armazenamento durante meses ou mesmo anos.


Jackson Pollock, Mural Indiano (1950)

Museu de Arte Contemporânea de Teerão, Teerão

Nos últimos anos do reinado iraniano dos Xás, mais concretamente durante o boom do petróleo, a rainha iraniana Farah Pahlave reuniu uma coleção formidável de arte moderna, agora avaliada em milhares de milhões de dólares americanos. Depois da revolução iraniana em 1979 os Picassos, Pollocks e Warhols foram marcados como "ocidentais", tendo sido considerados decadentes e impróprios para observação. Assim, estas obras foram colocadas em armazéns com temperatura controlada e protegidas contra revolucionários que poderiam destruir estas peças. Entre estas obras-primas está presente o Mural Indiano de Jackson Pollock.


Franz Marc, Os Grandes Cavalos Azuis (1911)

Centro de Arte Walker, Minneapolis

Esta obra, do artista alemão Franz Marc foi a primeira aquisição do Centro de Arte Walker. Adolf Hitler considerou-a "corrompida" e a sua venda para o 'Walker' foi finalizada em 1941, na semana do ataque a Pearl Harbor. "Esta é uma obra central na missão do 'Walker', mas a arte contemporânea mudou e temos mais dificuldade em encontrar o contexto onde colocá-la", refere, em declarações à BBC, o curador Eric Crosby. No entanto, a peça está, neste momento, em exposição até Setembro de 2016.


Edward Kienholz, O Espetáculo de Arte (1963-1977)

Galeria Berlinense, Berlim

Na Galeria Berlinense, a obra 'O Espetáculo de Arte' do artista americano Edward Kienholz, raramente é vista porque, simplesmente, precisa de uma galeria inteira dentro do museu para a sua exposição. Algumas partes da peça precisam, também, de ser regularmente substituídas e restauradas.


O Tapete da Coroação (1520-30) e o Tapete de Ardabil (1539-40)

Museu de Arte de Los Angeles, Los Angeles

O Tapete de Ardabil é bem conhecido dos visitantes do Museu Vitoria e Albert em Londres. Esta luxuosa peça de têxtil persa está coberta para preservar as suas fibras com séculos de idade e é iluminada durante 10 minutos por hora. No entanto, existe uma versão mais reduzida no Museu de Arte de Los Angeles, chamado o Tapete da Coroação. Esta peça ficou assim conhecida depois de ter sido colocado perante o trono na Abadia de Westminster para a coroação de Eduardo VII em 1902. Estas peças raramente são expostas pelo seu tamanho e pela sensibilidade à luz.


Tino Sehgal, Isto é Propaganda (2002)Tate, Londres

O artista, nascido na Grã-Bretanha, Tino Sehgal cria e armazena arte na sua cabeça. Porquê? Enquanto arte perfomativa, não executada por Sehgal mas pelos seus intérpretes treinados, é completamente imaterial. Ao contrário de outros artistas da mesma área, Sehgal recusa-se a gravar qualquer registo da sua obra. Não existem fotografias, gravações ou reportagens. Assim, a obra 'Isto é Propaganda' existe apenas na mente de cada um.

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