SOBRE A ARTE

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O país de Portinari


A criação artística dos habitantes de um país apresenta muito de sua alma. É no quadro de um pintor ou nos versos de um poeta que conseguimos enxergar a profundeza nos olhos de uma região. Em Grande Sertão: Veredas o escritor Guimarães Rosa consegue imprimir vários mistérios e sentimentos tanto do povo do sertão brasileiro como às paisagens destes. Nas canções de Tom Jobim, principalmente às que foram produzidas em parceria com Vinícius de Morais, vemos o Rio de Janeiro, a praia de Copacabana e as mocinhas que passam suaves pela calçada. E vendo o Brasil estampado desta forma se torna natural que outras partes do mundo criem um maior apresso pela obra do artista. É o caso de Candido Portinari, artista visual brasileiro com maior representatividade fora do país.


Portinari viveu a vida toda no Brasil, mas suas raízes familiares remetem à Chiampo, comunidade italiana localizada em Vêneto. Nasceu no dia 29 de dezembro de 1903 em uma plantação de café na cidade de Brodowski, no interior de São Paulo. Viveu com os pais Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato até os 14 anos e demonstrou desde pequeno o talento pelas artes. Nessa idade Portinari encontra um grupo de restauradores que passava pela cidade de Brodowski e acaba seguindo com estes, momento em que pela primeira vez se destaca com a precisão de seu pincel. No ano seguinte se muda de São Paulo para o Rio de Janeiro com a intenção de aprimorar seus dons artísticos. Começa a estudar na Escola de Belas Artes e se destaca dos demais alunos chamando a atenção de professores e também da imprensa da época.


Aos 20 anos Candido Portinari começa a participar de diversas exposições e começa a se projetar como um dos grandes pintores brasileiros. É nesta época que o pintor desenvolveu seu interesse para um novo movimento artístico, o Modernismo que viria a ser grande parte de sua obra no futuro. Por muitos anos ele se dedicou ao novo modelo que era considerado por muitos como marginal. Sua aproximação pelo Modernismo dificultou em alguns momentos a inserção nos grandes prêmios de artes. Optou em 1928 por pintar uma tela com elementos mais acadêmicos e tradicionais para receber a medalha de ouro do São de ENBA, um dos prêmios que mais cobiçava, mas que havia sido negado em 1926.


Daqui pra fora

O destaque dentro do Brasil rendeu para Portinari a curiosidade de outros artistas ao redor do mundo. Poucos anos depois da premiação o artista se muda para Paris onde vive anos decisivos para seu estilo e para sua vida pessoal. É nessa cidade que conhece Maria Martinelli que viveria ao seu lado para o resto da vida. Na cidade da luz também conhece outros artistas como Van Dongen e Othon Friesz. Mas a estadia em Paris dura pouco e no ano de 1931 ele vê a necessidade de retornar ao Brasil se aproximando ainda mais da sociedade e de suas raízes. Neste momento Portinari renova de cima a baixo a estética de sua obra.


Embebido pelas novidades que o modernismo proporcionou, Portinari quebra de vez o compromisso volumétrico e abandona a tridimensionalidade de suas obras. Passa também a valorizar as cores e as idéias de sua pintura e vai aos poucos deixando de lado as telas pintadas a óleo para se dedicar a murais e afrescos. A nova tendência de suas obras parece ter mais significado do que o modelo anterior, pois em 1939 a mídia internacional começa a cravar os olhos em suas obras e no mesmo ano expõe três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque. O diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) fica encantado com as obras de Portinari. Em 1940, Alfred compra a tela “Morro do Rio” e imediatamente expõe esta no MoMA ao lado de artistas consagrados mundialmente.


Engolido pela arte

No começo da década de 50 o artista começa a apresentar diversos problemas de saúde. A fama do seu trabalho já o colocava como um dos grandes artistas brasileiros. Em 1954, apresenta indícios de intoxicação por chumbo, substância presente nas tintas que utilizava. Mesmo sabendo de seu estado grave de saúde o artista continuava pintando e viajando com freqüência para diversas regiões do mundo. Participou no ano de 1962 de uma exposição com 200 telas em Barcelona, mas no mesmo ano, no dia 6 de fevereiro, morreu por intoxicação pelo chumbo das tintas que usava. Candido Portinari foi velado e sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.

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